Jovany Medeiros

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Testes para diagnóstico diferencial de dor radicular nos membros inferiores


Doenças de vísceras abdominais, pélvicas, síndromes dolorosas músculo-esqueléticas e lesões de raízes lombossacras podem causar dor nos membros inferiores (MMII). Nas duas primeiras condições fala-se de  "dor referida". Na terceira de "dor radicular". A dor radicular é causada por discopatias, estenose do canal vertebral, lesão ocupando espaço na coluna espinhal, e se associa a perda de reflexos, diminuição da força muscular e alterações da sensibilidade. Uma das funções do neurologista é realizar o diagnóstico diferencial (DD) entre dor referida e dor radicular. Nos MMII, três testes são comumente usados no DD entre dor radicular e dor referida: o teste da elevação da perna estendida, o teste de Lasègue e o teste de Bragard, que devem ser realizados no contexto do exame neurológico e não como procedimentos isolados. 

Teste da elevação da perna estendida.
Paciente em decúbito dorsal. Com a mão mantida na região posterior do tornozelo o examinador eleva o membro inferior até 90º., ou até ocorrer dor, o que surgir primeiro. Esse teste traciona as raízes L5-S1-S2, principalmente entre 35º. e 70º., e emula a dor radicular. Figura 1.
Teste de Lasègue.
Com o paciente em decúbito dorsal, o examinador flexiona o quadril com o joelho em flexão. Mantendo o quadril flexionado, então estende o joelho. O teste é positivo para dor radicular se não houve dor com o quadril e joelho fletido e se ocorrer dor com o quadril fletido e o joelho estendido.
Ver figuras 2A e 2B.
Teste de Bragard.
É um teste de confirmação de radiculopatia após a realização dos testes da elevação da perna estendida e do teste de Lasègue. Proceda como no teste de elevação da perna estendida, quando o paciente queixar-se de dor, abaixe a perna 5º. e faça a dorsoflexão do pé. Se houver radiculopatia, ocorre dor.  Ver figura 3.

Referências.
Bradley, WG et al. - Neurology in Clinical Practice, 2a. ed. Butterworth-Heineman. Boston, capítulo 35, p.433-445, 1996.
Cipriano, JJ - Manual Fotográfico de Testes Ortopédicos e Neurológicos. 4a.  ed. Editora Manole. Barueri. 497p, 2005.
Fuller, G. Neurological Examination Made Easy. Churchill Livingstone. Ediburgh. 220p. 1993.  

Figura 1. Teste da elevação da perna estendida.

 Figura 2A. Teste de Lasègue.
 Figura 2B. 
 Figura 3Teste de Bragard.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Anéis de Kayser-Fleischer


A doença de Wilson é decorrente de um distúrbio do metabolismo do cobre, devido a deficiência de ceruloplasmina, a enzima que elimina esse mineral do organismo. Ao se acumular o cobre se deposita na córnea, núcleos da base e fígado. A doença se expressa por síndrome parkinoniana de origem precoce associada a outros sintomas. O diagnóstico precoce é essencial, visto que essa é uma doença tratável. O anel de Kayser-Fleischer (foto) é uma alteração pigmentada da córnea associada à essa doença. A sua presença se correlaciona com o tempo de evolução e a sua formação se deve a depósitos de grânulos de cobre na periferia da córnea.

segunda-feira, 31 de março de 2008

síndrome do neurônio motor superior & síndrome do neurônio motor inferior

Ao se examinar um paciente com sintomatologia neurológica sempre se deve avaliar a função motora. Estando presente uma paralisia motora deve-se responder a seguinte pergunta: "a paralisia é decorrente de uma lesão do neurônio motor superior ou de uma lesão do neurônio motor inferior?" O diagnóstico diferencial será mais fácil se conhecermos as diferenças básicas entre as duas síndromes, descritas no slide abaixo.

quarta-feira, 12 de março de 2008

O sinal de Hoover

O Sinal de Hoover.

Conceito. O sinal de Hoover se realiza no exame neurológico quando se objetiva fazer o diagnóstico diferencial entre paralisia orgânica e não orgânica do membro inferior (MI). O sinal se baseia no princípio da contração sinérgica: ocorre extensão involuntária do membro quando se flete a perna contra-lateral contra resistência.

Manobra. O paciente se deita supino, a mão do examinador é colocada sob o calcanhar não paralisado. Pede-se ao paciente que eleve a perna paralisada. Repete-se o teste pedindo ao paciente que eleve a perna não paralisada, com o examinador pondo a mão sob o calcanhar paralisado. Nas parlisias orgânicas o examinador sente a pressão exercida para baixo do calcanhar da perna não paralisada. Nas paralisias não orgânicas nenhuma pressão é percebida, porque o paciente, voluntariamente, evita qualquer contração muscular na perna não paralisada.

Charles Franklin Hoover (1865–1927) foi um médico americano nascido em Cleveland, Ohio, que estudou medicina em Harvard. Seus interesses principais eram doenças do diafragma, pulmões e fígado.

Referências

1. Hoover CF. A new sign for the detection of malingering and functional paresis of the lower extremities. JAMA 1908;51:746–7.

2. Arieff, A, Tigay EI, Kurtz JF, et al. The Hoover sign: an objective sign of pain and/or weakness in the back or lower extremities. Arch Neurol 1961;5:673–8.[Medline]

3. Archibald, KC, Wiechec, F. A reappraisal of Hoover’s test. Arch Phys Med Rehabil 1970;51:234–8.[Medline]